O papel estratégico do técnico em eletrotécnica na energia solar no cenário brasileiro: da instalação à gestão de usinas

O Brasil se tornou referência mundial em geração sustentável de energia, com cerca de 88% de toda a energia elétrica do país sendo gerada por fontes renováveis.
Por mais que a energia hidráulica continue sendo a grande responsável por estes números, a solar ganhou mais espaço nos últimos anos.
Segundo a Absolar, esta tecnologia se tornou a segunda maior fonte de energia do país, representando 22,2% de toda a capacidade instalada da matriz elétrica no último ano (2025).
Esta alta não só torna o Brasil um país mais sustentável, como também impulsiona a geração de novos empregos, pois quanto maior a demanda, mais oportunidades surgem.
Com isso, o técnico em eletrotécnica ganhando mais espaço na energia solar, se tornando uma carreira extremamente promissora e fundamental no território brasileiro.
Neste artigo, mostraremos o real papel deste profissional na indústria, atribuições legais, mercado, perspectivas para o futuro e mais. Acompanhe tudo isso a seguir.
A formação do técnico em eletrotécnica aplicada à energia solar
O avanço acelerado da energia solar no Brasil abre uma lacuna enorme de mão de obra qualificada no mercado de trabalho.
Ainda segundo a Absolar, o país deve adicionar 10,6 GW de energia solar neste ano (2026).
Pensando nisso, é essencial que os profissionais que almejam entrar neste mercado se profissionalizem.
Hoje em dia, temos uma série de opções de capacitação, inclusive com cursos técnicos EAD.
Estas profissionalizações, por mais que sejam de nível técnico, abrangem muito mais do que “apertar parafusos”, abordando fundamentos de eletricidade (CA/CC), circuitos elétricos, eletromagnetismo e medições elétricas.
Além dos conteúdos específicos de eletrotécnica, é fundamental que haja a interdisciplinaridade, pois há certas funções que exigem este conhecimento mais amplo.
Com isso, o profissional também deve saber desenho técnico (CAD), interpretação de projetos e inglês técnico para leitura de manuais de inversores e módulos importados.
Responsabilidade técnica: quem pode assinar o projeto?
É importante ressaltar que o técnico em eletrotécnica não possui as mesmas responsabilidades técnicas e legais de um profissional com ensino superior.
Segundo a Resolução nº 178/2022 e a Deliberação Plenária nº 78/2020 do Conselho Federal dos Técnicos Industriais (CFT), os técnicos em eletrotécnica possuem atribuição para projetar, instalar e manter sistemas fotovoltaicos.
Além disso, para a homologação de projetos junto às concessionárias, é preciso que o profissional responsável assine o termo de Responsabilidade Técnica (TRT), um documento que formaliza a responsabilidade civil e criminal sobre projetos, obras ou serviços prestados, tanto no setor público quanto privado.
Por serem técnicos, estes profissionais têm a prerrogativa para assumir a responsabilidade técnica por empresas de instalação e manutenção, validando apenas projetos de micro e minigeração.
Principais funções do técnico em um projeto fotovoltaico
O projeto fotovoltaico é o plano técnico e estratégico detalhado para instalar um sistema de energia solar, convertendo luz solar em eletricidade.
Esta é uma das principais (se não a) etapas de toda implementação desta tecnologia, e o técnico possui algumas funções cruciais para a eficiência.
Estas atribuições incluem:
- Planejamento e vistoria: o trabalho começa muito antes da instalação, sendo necessário realizar toda uma análise do local. O técnico em eletrotécnica deve avaliar a viabilidade avaliação de sombreamento e infraestrutura do telhado ou solo onde será feita a instalação.
- Dimensionamento e projeto: o profissional utilizará softwares e planilhas para calcular a quantidade de módulos, arranjo das strings, dimensionamento de cabos e seleção de inversores adequados à carga.
- Execução e instalação: o técnico em eletrotécnica é fundamental na instalação da tecnologia, sendo responsável pela montagem mecânica e fixação das estruturas, e pelas conexões elétricas (crimpar cabos, conectar inversores e string boxes).
- Comissionamento: esta etapa é fundamental para garantir a segurança e a eficiência do sistema. O técnico realizará testes de resistência de isolamento, verificação de polaridade e ensaios de funcionamento antes de conectar à rede.
Segurança elétrica e normas técnicas
Profissionais que atuam com eletrotécnica devem estar cientes dos riscos envolvidos na profissão, que vão desde perigos reais de choques elétricos e quedas de grandes alturas.
Apesar destas ameaças, existem normas de segurança específicas do setor, e seu cumprimento não só é obrigatório, como também primordial para preservar vidas.
É essencial que todo técnico em eletrotécnica siga com rigor todos os mínimos detalhes destas normas.
As principais Normas Regulamentadoras (NRs), são:
- NR-10: estabelece requisitos e condições mínimas de segurança para serviços em instalações elétricas, abrangendo geração, transmissão, distribuição e consumo. Também determina a obrigatoriedade da capacitação, treinamento bienal e, em muitos casos, o Prontuário de Instalações Elétricas (PIE).
- NR-35: estabelece os requisitos mínimos e medidas de proteção para o trabalho em altura (acima de 2,00 m do nível inferior), algo muito comum na instalação de sistemas de energia solar.
Além destas principais Normas Regulamentadoras, ainda existem outras que abrangem o uso correto de EPIs, como luvas isolantes, capacete, óculos de proteção e ferramentas adequadas, e de protocolos de segurança, como bloqueio e etiquetagem, testes de ausência de tensão e aterramento adequado.
Outra Norma Regulamentadora importante, especialmente para técnicos em energia solar, é a NBR 5410, que estabelece os requisitos mínimos para projetos, execução e manutenção de instalações elétricas de baixa tensão (até 1000V CA ou 1500V CC).
Atuação do técnico na energia solar de diferentes segmentos
O técnico de eletrotécnica pode atuar em uma série de segmentos, pois todos os setores estão se movimentando para tornar sua energia mais limpa e sustentável.
Com isso, alguns dos segmentos onde este profissional pode atuar são:
- Segmento residencial: instalação de sistemas de pequeno e médio porte, com foco em redução de custos na conta de energia e adequação ao padrão monofásico ou bifásico da concessionária.
- Segmento comercial: projetos com maior demanda energética, exigindo análise de carga mais detalhada, integração trifásica e atenção à qualidade da energia.
- Segmento industrial: sistemas de maior complexidade técnica, envolvendo painéis de alta potência, quadros elétricos robustos e integração com maquinário industrial.
- Usinas solares de geração compartilhada: atuação na montagem de estruturas em solo, organização de strings em larga escala e conexão de múltiplos inversores centralizados ou string.
- Sistemas off-grid: instalações isoladas da rede pública, incluindo dimensionamento e conexão de bancos de baterias, controladores de carga e inversores híbridos.
- Projetos rurais: aplicação em propriedades agrícolas para alimentar bombas, sistemas de irrigação e estruturas produtivas com autonomia energética.
Manutenção e monitoramento de sistemas solares
Além da instalação do sistema de energia solar, o técnico também é responsável pela manutenção e monitoramento periódico do equipamento, garantindo sua eficiência e segurança.
Dentre as funções do profissional pós-instalação, podemos destacar:
- Inspeção visual periódica: verificação da integridade física dos módulos, suportes e cabeamento para identificar danos, corrosão ou conexões soltas.
- Análise elétrica das conexões: medição de tensão e corrente nas strings para detectar perdas, aquecimento anormal ou desequilíbrios.
- Monitoramento de desempenho via software: avaliação da geração diária e comparação com estimativas projetadas para identificar quedas de eficiência.
- Limpeza técnica dos módulos: remoção de poeira, folhas e resíduos que reduzem a captação solar e impactam a produtividade energética.
- Verificação do inversor: checagem de alarmes, códigos de erro e atualização de firmware quando necessário.
- Manutenção preventiva programada: intervenções planejadas para evitar falhas corretivas, aumentando a vida útil do sistema.
- Diagnóstico e correção de falhas: identificação de strings com baixa produção, substituição de conectores ou componentes danificados.
Habilidades comportamentais do técnico em eletrotécnica
Além do conteúdo técnico abordado na capacitação, é essencial que o profissional desenvolva algumas habilidades comportamentais, chamadas de “soft-skills”.
Existe um certo perfil de colaborador que não só é altamente valorizado pelo mercado, como também complementa as habilidades técnicas necessárias para a execução do trabalho.
Uma das características mais essenciais é a atenção aos detalhes e a organização.
O trabalho de instalação do sistema de energia solar envolve diversos cabos e estruturas, que devem ser organizados detalhadamente para facilitar a inspeção posterior, e garantir sua eficiência.
Além disso, o técnico deve ser extremamente responsável, se comprometendo com os protocolos de segurança para evitar acidentes individuais e coletivos.
Outras habilidades valorizadas são a facilidade de trabalho em equipe e comunicação clara, o que facilita a execução do serviço com o time de profissionais.
Mercado de trabalho: salários e perspectivas
O setor de energia solar está crescendo exponencialmente no Brasil, o que abre uma lacuna no mercado de trabalho por mão de obra qualificada.
A demanda por técnicos em energia solar não é apenas no ato da instalação de sistemas, mas também na manutenção, o que torna esta necessidade contínua, e não pontual.
O salário para estes profissionais está cada vez mais valorizado, ficando entre R$2.000 e R$3.000 por mês para cargos iniciantes, segundo dados do Glassdoor.
Já os técnicos em sistemas fotovoltaicos especializados em comissionamento recebem entre R$6.500 e R$8.500 em contratos CLT, e consultorias técnicas podem ultrapassar R$15.000 na atuação autônoma.
Este é um mercado em constante evolução e valorização, portanto, quem se especializa rapidamente, larga na frente dos demais.
Técnico em eletrotécnica na energia solar: uma carreira com futuro garantido
A energia solar está em constante crescimento no Brasil, atingindo marcas históricas no último ano, e se consolidando como a segunda maior fonte de energia elétrica do país.
Esta alta abre margem para que diversos profissionais entrem no setor, com cargos disponíveis tanto para nível técnico quanto superior. Independente do grau, é essencial se especializar.
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FAQ
1. O que faz um técnico em eletrotécnica na energia solar?
O técnico atua no planejamento, instalação, comissionamento, manutenção e monitoramento de sistemas fotovoltaicos, além de poder assumir responsabilidade técnica em projetos de micro e minigeração conforme regulamentação do CFT.
2. Técnico em eletrotécnica pode assinar projeto de energia solar?
Sim. Conforme o Conselho Federal dos Técnicos Industriais, o técnico pode projetar, instalar e assumir TRT para sistemas de micro e minigeração, dentro das atribuições legais estabelecidas.
3. Quais normas devem ser seguidas?
As principais são a NR-10, NR-35 e a ABNT NBR 5410, que regulamentam segurança elétrica, trabalho em altura e instalações de baixa tensão.
4. Quanto ganha um técnico no setor de energia solar?
Os salários variam conforme experiência e especialização. Cargos iniciais giram entre R$2.000 e R$3.000, enquanto profissionais especializados em comissionamento ou consultoria podem ultrapassar R$8.000 ou mais.
5. O mercado de energia solar está em crescimento?
Sim. Segundo a Absolar, a energia solar é a segunda maior fonte da matriz elétrica brasileira, ampliando a demanda por profissionais qualificados em todo o país.
















