Técnico em Segurança e a Gestão de Riscos Psicossociais

O ambiente de trabalho deve ser um espaço voltado à atenção e produtividade. Para que isso aconteça, é essencial que existam normas e práticas que garantam a segurança dos colaboradores.
Por muito tempo, esta segurança se referia apenas à questões físicas e químicas, especialmente em indústrias, onde o risco de acidentes é consideravelmente maior.
Com o tempo, questões relacionadas à saúde mental dos funcionários foi ganhando cada vez mais espaço, entrando também nas pautas de segurança do trabalho.
Um dos elementos mais importantes desta nova e importante onda é a gestão dos riscos psicossociais no trabalho, algo que cada vez mais os profissionais da área devem se preocupar.
Neste artigo, explicaremos o que são os riscos psicossociais, quais são considerados, o papel do técnico em segurança do trabalho neste quesito, o que diz a lei e mais. Acompanhe logo abaixo.
O que são e quais os impactos dos riscos psicossociais?
Os riscos psicossociais são as ameaças à saúde mental do colaborador, relacionados à forma como o trabalho é concebido, organizado e gerido, bem como aos seus contextos sociais e ambientais.
Este conceito é relacionado ao risco propriamente dito, que envolve a combinação entre a probabilidade do dano e sua gravidade, diferente do perigo, que está associado à fonte do problema, como sobrecarga e assédio.
Mesmo com esta questão sendo cada vez mais levantada no mundo corporativo, muitas empresas ainda possuem sérios problemas que afetam a saúde mental e emocional de seus colaboradores, como jornadas excessivas, pressão por metas, falta de autonomia, conflitos interpessoais e assédio moral ou sexual.
Estes riscos trazem consequências sérias, tanto para a empresa quanto para os colaboradores.
- Para os colaboradores: desenvolvem estresse crônico, transtornos de ansiedade, depressão e Síndrome de Burnout.
- Para as empresas: aumento do absenteísmo, presenteísmo, rotatividade (turnover), queda de produtividade e custos com processos trabalhistas.
Por afetar ambos os lados do vínculo trabalhista, a demanda por profissionais qualificados, como técnicos em segurança do trabalho, por exemplo, está constantemente em alta.
Principais fatores de riscos psicossociais no ambiente corporativo
Existem alguns fatores dentro da rotina de trabalho que elevam as chances destes riscos psicossociais.
Estes elementos já foram muito comuns antigamente, porém, especialmente com a nova geração de colaboradores mais informados, estão cada vez mais raros em empresas prósperas.
Os principais fatores que causam estes riscos psicossociais no trabalho são:
- Sobrecarga de trabalho: volume excessivo de tarefas e prazos curtos que geram estresse contínuo e desgaste mental.
- Jornadas prolongadas: excesso de horas trabalhadas reduz o tempo de descanso e impacta diretamente a saúde emocional.
- Metas irreais: objetivos inalcançáveis criam sensação constante de fracasso e pressão psicológica.
- Falta de autonomia: pouca liberdade para tomar decisões gera frustração e desmotivação.
- Liderança autoritária: gestores com postura rígida ou abusiva aumentam tensão e insegurança no ambiente.
- Comunicação falha: falta de clareza nas informações causa conflitos, erros e ansiedade nos colaboradores.
- Ambiente de conflito: relações interpessoais negativas ou competitividade excessiva geram desgaste emocional.
- Falta de reconhecimento: ausência de valorização profissional diminui engajamento e afeta autoestima.
- Insegurança no emprego: medo de demissão ou instabilidade organizacional gera ansiedade constante.
- Assédio moral: exposição a humilhações ou constrangimentos compromete diretamente a saúde mental.
- Falta de suporte organizacional: ausência de apoio da empresa em momentos de dificuldade aumenta a sensação de abandono.
- Desequilíbrio entre vida pessoal e profissional: dificuldade de separar trabalho e vida pessoal leva ao esgotamento emocional.
A Nova NR-01 e a Obrigatoriedade no GRO/PGR
O tema relacionado à saúde mental e emocional dos colaboradores ganhou ainda mais importância com a atualização no Capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora n° 1 (NR-01), que tornou obrigatória a inclusão dos fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
Este é um sistema integrado de ações preventivas que visa identificar, avaliar e controlar riscos dentro do ambiente de trabalho.
Neste ano (2026), ainda teremos um novo marco no que diz respeito à saúde mental dos funcionários. A partir do dia 26 de maio, a gestão desses riscos passará a ser exigida formalmente nas auditorias e fiscalizações, sujeitando as empresas a autuações.
É importante ressaltar que esta avaliação de risco deve levar em conta as exigências da atividade de trabalho em si, o que também deve considerar a ergonomia dos materiais, conectando a NR-01 com a NR-17.
Como avaliar riscos psicossociais de forma estruturada
Para estabelecer práticas de gestão de riscos psicossociais no trabalho, é preciso saber como identificá-los, pois isso guiará as estratégias que deverão ser utilizadas.
É fundamental que o técnico em segurança do trabalho se conecte com os colaboradores, entendendo suas reais dores e problemas vividos dentro da rotina laboral.
Para identificar estes riscos psicossociais, algumas prática são recomendadas, como:
- Pesquisa de clima organizacional: coleta percepções dos colaboradores sobre ambiente, liderança e pressão no trabalho.
- Entrevistas individuais: conversas diretas que revelam problemas mais sensíveis e não expostos em pesquisas.
- Grupos focais: discussões em equipe para identificar padrões de comportamento e problemas coletivos.
- Análise de absenteísmo: faltas frequentes podem indicar sobrecarga, estresse ou insatisfação.
- Avaliação de turnover: alta rotatividade sinaliza problemas estruturais no ambiente de trabalho.
- Monitoramento de produtividade: quedas de desempenho podem estar ligadas a fatores emocionais e psicológicos.
- Mapeamento de setores críticos: identificação de áreas com maior pressão, conflitos ou sobrecarga.
- Aplicação de questionários específicos: ferramentas voltadas para saúde mental e riscos psicossociais do trabalho.
- Observação do ambiente: análise prática da rotina, comportamento das equipes e estilo de liderança.
- Cruzamento de dados: combinação de indicadores quantitativos e qualitativos para diagnósticos mais precisos.
- Relatórios técnicos: organização das informações para facilitar tomada de decisão e criação de estratégias.
- Avaliações periódicas: repetição das análises para acompanhar evolução e eficácia das ações implementadas.
O papel e as atribuições do técnico em segurança do trabalho
O técnico em segurança do trabalho é um profissional fundamental na gestão dos riscos psicossociais, atuando em basicamente todas as frentes deste sistema.
Suas atribuições são estabelecidas pela Portaria 3.275/1989 e atualizadas pela Portaria MTP nº 671/2021, que incluem informar o empregador sobre riscos e propor medidas de eliminação ou controle destas ameaças.
Com isso, o TST (Técnico em Segurança do Trabalho) deixa de ser um mero fiscalizador de EPIs e passa a ser um analista de métodos e processos de trabalho, identificando fatores que prejudicam a saúde mental e emocional dos demais.
O grande objetivo da gestão dos riscos psicossociais é eliminar o problema na fonte, evitando que estes riscos cheguem a atingir o psicológico dos colaboradores, porém, isso nem sempre é possível.
Assim, o controle se torna uma das principais funções do TST, e para que ele tenha sucesso, é preciso contar com uma equipe multidisciplinar.
Isso significa que este profissional deve trabalhar em conjunto com médicos do trabalho, engenheiros de segurança e, quando possível, psicólogos e profissionais de RH.
Estratégias práticas para gestão de riscos psicossociais
Para que o TST tenha sucesso com a gestão de riscos psicossociais, algumas estratégias devem ser colocadas em prática após a identificação destas ameaças, como:
- Implementação de políticas de saúde mental: criação de diretrizes internas que priorizam bem-estar emocional e prevenção de riscos psicossociais trabalho.
- Treinamento de lideranças: desenvolvimento de gestores para uma atuação mais empática, equilibrada e preparada para lidar com equipes.
- Revisão da carga de trabalho: ajuste de demandas e prazos para evitar sobrecarga e desgaste contínuo.
- Canais de escuta ativa: abertura de espaços seguros para feedbacks, denúncias e comunicação transparente.
- Programas de apoio ao colaborador: oferta de suporte psicológico, ações de bem-estar e incentivo ao equilíbrio emocional.
- Monitoramento contínuo: acompanhamento constante dos indicadores e ajustes rápidos nas estratégias conforme necessidade.
Desafios enfrentados pelo técnico em segurança
Ainda que as questões de saúde mental dos trabalhadores tenham ganhado cada vez mais importância, os técnicos em saúde do trabalho ainda têm enfrentado alguns desafios para implementar as estratégias necessárias para gerir os riscos psicossociais, como:
- Resistência da liderança: gestores que não reconhecem riscos psicossociais dificultam a implementação de ações preventivas.
- Dificuldade de mensuração: fatores emocionais são subjetivos, tornando mais complexa a coleta de dados precisos.
- Cultura organizacional limitada: empresas com foco apenas em resultados ignoram impactos na saúde mental.
- Falta de recursos: ausência de investimento em programas e ferramentas reduz a efetividade das ações.
- Baixa integração entre áreas: desalinhamento entre segurança do trabalho, RH e liderança compromete a gestão dos riscos.
- Subnotificação de problemas: colaboradores evitam expor situações por medo ou insegurança.
- Atualização constante: necessidade de acompanhar novas normas, práticas e tendências relacionadas à saúde mental no trabalho.
Ambientes saudáveis começam com uma gestão eficiente de riscos
Para que um ambiente de trabalho seja realmente eficiente, ele deve sr seguro, pois caso contrário, os colaboradores estarão em constante estado de alerta, comprometendo suas funções.
Por muito tempo esta questão de segurança considerava apenas acidentes físicos e químicos, porém, a saúde mental e emocional é igualmente importante.
Com isso, a gestão de riscos psicossociais ganhou muita força, se tornando inclusive exigência legal para as empresas.
Isso fez com que a demanda por técnicos em segurança do trabalho qualificados e atualizados acerca das novas normas crescesse, estando em constante alta.
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FAQ
1. O que são riscos psicossociais no trabalho?
São fatores ligados à organização e às relações no ambiente profissional que impactam diretamente a saúde mental e emocional dos colaboradores.
2. Quais são os principais riscos psicossociais trabalho?
Incluem sobrecarga de trabalho, jornadas extensas, metas irreais, assédio moral, falta de reconhecimento e conflitos no ambiente corporativo.
3. O que diz a NR-01 sobre riscos psicossociais?
A norma exige a inclusão desses riscos no GRO/PGR, tornando obrigatória sua identificação, avaliação e controle pelas empresas.
4. Qual o papel do técnico em segurança do trabalho?
Ele identifica riscos, propõe melhorias e implementa ações para garantir um ambiente mais saudável e produtivo.
5. Como reduzir riscos psicossociais no trabalho?
Com gestão eficiente, equilíbrio de demandas, liderança preparada e ações voltadas à saúde mental dos colaboradores.
















